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  • "É preciso fazer o luto da vida de antes da epidemia", diz psicóloga francesa
    "Quando é que isso vai acabar?". Esta é uma das frases ouvidas com mais frequência desde o início da epidemia de Covid-19, em 2020. Muitos nutriam a esperança de que a crise sanitária seria um episódio de duração limitada. Quase dois anos depois, essa pergunta continua sem resposta. As ondas se sucedem, novas variantes aparecem e o otimismo cedeu ao conformismo. As vacinas se revelaram limitadas no controle das infecções e a máscara se tornou um acessório perene. Taíssa Stivanin, da RFI Nesse contexto, a chamada “fadiga da pandemia” passou a integrar o cotidiano da população mundial. O termo é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma “angústia desencadeada por uma adversidade que progride ao longo do tempo, gerada por certas emoções, experiências e percepções”. Ela se caracteriza por sintomas como dificuldade de concentração, problemas de sono e o esgotamento físico e mental, gerado pela vigilância constante que exige a situação sanitária e as restrições sociais que ela provoca: home-office, escolas fechadas e outras mudanças que alteraram completamente o modo de vida de boa parte da sociedade. A estimativa é que a fadiga pandêmica afete 60% da população submetida ao isolamento e atinja principalmente pessoas sozinhas, como jovens estudantes que vivem longe da família, por exemplo, ou pessoas idosas. Para a psicóloga francesa Aline Nativel, que conversou com a RFI, a população em geral se adaptou à situação imposta pela pandemia, mas, ao mesmo tempo, há dificuldades em se projetar positivamente no futuro. “Quanto mais tempo dura a epidemia, maior é o cansaço. A questão é que o ser humano precisa se motivar e se posicionar baseando-se em elementos positivos de sua vida. Em certos momentos, acreditamos que a epidemia tivesse chegando ao fim, mas aí veio uma nova variante, um novo protocolo e novas diretivas", ressalta. "Isso faz com que a gente mergulhe novamente em um mundo desconhecido, apesar de sermos capazes de gerenciar certos parâmetros. Mas, mesmo assim, continua sendo difícil se projetar de maneira positiva a longo prazo, de maneira concreta. Sempre há novos elementos que nos fazem mergulhar em uma forma de angústia”, explica. Como enfrentar essa situação e preservar a saúde mental? Uma das estratégias, diz a psicóloga francesa, é continuar fazendo projetos, mesmo que não seja simples. “Há uma grande adaptação, de forma geral, mas começa a surgir um cansaço psicológico em relação ao caráter interminável da crise. Uma espécie de adaptação em relação ao fato que a vida de antes, infelizmente, não existirá mais da maneira como nós conhecíamos. E uma das forças do ser humano é essa capacidade de adaptação. A vida continua. Não devemos entregar os pontos e precisamos continuar nos adaptando da melhor maneira possível.” Mundo de incertezas  Atualmente, diz Aline Nativel, é necessário aceitar viver em um mundo de incertezas sanitárias, que impactam nosso cotidiano. “É como se tivéssemos que fazer o luto da vida de antes, o que pode ser mais ou menos complicado em função do indivíduo e de sua situação”, declara.  Ela lembra, que antes da epidemia, havia um sentimento geral de que o homem dominava, através da ciência, o comportamento da natureza. A emergência do coronavírus mostrou o contrário. Muitas pessoas têm dificuldade em gerenciar essa questão e se habituar à ideia de que é preciso conviver com ameaça do SARS-CoV-2 e com o aparecimento de novas variantes. Nem todas as pessoas possuem também os mesmos recursos internos para enfrentar essa situação, lembra a psicóloga.  Para ela, os adolescentes e jovens adultos são os que mais sofrem no contexto atual. As incertezas envolvem principalmente o futuro profissional e a dinâmica social. As crianças, afirma a especialista, se adaptaram rapidamente. Para elas, a epidemia trouxe até mesmo efeitos positivos, explica. “Percebemos que as crianças têm uma grande capacidade de adaptação, o que pode mudar a imagem da psicologia infantil. Elas são muito resilientes e capazes de aceitar as novidades em comparação aos adultos”, observa. Segundo a psicóloga, a situação epidêmica também pode desenvolver uma forte empatia social nas crianças. “Tomando cuidado comigo mesmo, também recordo que tenho que tomar cuidado com os outros. Então são crianças que tendem a ser mais gentis em relação aos outros”, afirma. Outros efeitos positivos da epidemia, lembra, são a conscientização coletiva da importância da saúde mental e da vida em sociedade. Isso contribuirá, acredita, para que essas crianças desenvolvam mais empatia e estejam mais voltadas, no futuro, para preocupações sociais. Em suas consultas, Aline Nativel observa que muitos de seus pacientes se conscientizaram da importância do próprio bem-estar físico, mas também da saúde dos pais, dos avós e dos amigos, por exemplo, e de que há situações que não podem ser controladas. Já entre os adultos, o estado atual é de ansiedade generalizada, motivada por um estado de alerta permanente. O conselho dela é viver o presente, sem tentar antecipar o futuro. “A crise sanitária deverá nos ajudar a viver um dia após o outro.”
    1/25/2022
    5:42
  • Covid-19: vacinação frequente é inviável a longo prazo, diz epidemiologista francês
    A chegada da ômicron, mais contagiosa, e a conclusão de que as vacinas agem por tempo limitado contra a transmissão do SARS-Cov-2, as infecções trazem novos questionamentos: como controlar a propagação do vírus evitando que os hospitais fiquem saturados? Taíssa Stivanin, da RFI O infectologista francês Benjamin Davido, consultor para as questões ligadas ao Covid no hospital Raymond-Poincaré, em Garches, na região parisiense, lembra que a proteção das vacinas a base de RNA mensageiro tem prazo de validade e precisa ser reforçada com frequência, principalmente com a chegada de uma nova cepa, como é o caso da ômicron. Estudos mostram que a proteção contra uma infecção pela ômicron dez semanas após a terceira dose, cai, em média de 75% para 45%.   As vacinas evitam formas graves e mortes por um período ainda indeterminado, mas, não impedem a contaminação.  O laboratório Pfizer já anunciou que prepara um imunizante específico contra a variante. Além disso, diz o infectologista francês, há dúvidas sobre o nível de ativação da memória imunológica proporcionada pelo produto, essencial para proteger o indivíduo contra infecções. “Não podemos vacinar toda a população a cada três meses, é impossível. Ainda mais em países com acesso restrito à vacinação, muitas variantes circulando e reticências em relação à imunização”, ressalta Davido. Vacinas produzidas com proteínas recombinantes, utilizadas em produtos como a Novavax, por exemplo, também podem ser uma arma importante na luta contra a Covid-19, principalmente se atuam no reforço da imunidade celular, mediada pelos linfócitos T e seus subtipos. Elas utilizam uma tecnologia mais clássica, e seu impacto na resposta imunológica ainda precisa ser avaliado. Gestão a longo prazo O infectologista francês lembra que as vacinas a base de RNA continuam sendo um avanço científico importante, mas a duração da proteção é um aspecto que não pode ser descartado na gestão da epidemia a longo prazo. Ele também ressalta que a maioria dos pacientes hospitalizados são não vacinados ou tomaram a última injeção há mais de meses e têm fatores de risco. Por isso, diz, é fundamental proteger os mais vulneráveis, que continuarão a ser alvo do SARS-CoV-2 apesar do acesso à imunização, e ficarão mais expostos com a diminuição das medidas restritivas e dos lockdowns. Para Davido, também é importante que a vacinação esteja aliada a tratamentos complementares. “Essa doença não é uma gripe, longe disso, mas teremos provavelmente ondas sazonais e as mesmas ferramentas que já temos contra a gripe: uma vacinação anual e antivirais para os pacientes que precisam e são mais frágeis. ” O vírus, lembra, não desaparecerá. Haverá novas ondas e novas variantes devem surgir, embora uma epidemia,  “não dure para sempre”. Ômicron é mais leve? A situação na África do Sul, onde a ômicron foi descoberta em novembro, e no Reino Unido, mostram que a nova cepa provoca menos hospitalizações. Pesquisas demonstram que é provável que ela atinja menos os pulmões. Nesse contexto, a gestão da epidemia pode mudar, lembra o infectologista francês. “Uma questão que podemos colocar é se a ômicron não está reescrevendo a história natural dos vírus. Em geral existe uma atenuação da virulência ao longo das ondas epidêmicas. Em sua forma original, o novo coronavírus matou primeiro os mais vulneráveis e isso é uma espécie de seleção natural”, diz. Benjamin Davido lembra que o vírus, para se propagar de forma eficaz, deve se adaptar e driblar a proteção adquirida pela vacinação e as mudanças de hábitos, que incluem o uso das máscaras e o distanciamento social. Para isso o SARS-CoV-2 deve perder as características de um vírus letal e se transformar em um vírus com proteínas que o ajudem a aderir melhor às células do hospedeiro e contaminá-lo com mais facilidade.“Na realidade, uma das principais características de um vírus que se propaga nessa velocidade, e que já superou a delta e que já havia superado outras variantes, é a atenuação da virulência em detrimento da contagiosidade", explica. Imunidade dupla Essa foi, aliás, uma das hipóteses levantadas pelos cientistas, diz o infectologista, lembrando que a estratégia da vacinação foi acertada, com o objetivo de proteger as pessoas que correm risco de desenvolver formas graves. “Uma das possibilidades, e precisamos nos preparar para ela, é que a ômicron continuará a matar, todos anos, pessoas de determinados grupos.  Será necessário considerar que esse número é aceitável e conviver com essa ideia, dentro de uma estratégia de proteção e vacinação” O infectologista francês não descarta a possibilidade, otimista, da aquisição de uma imunidade “dupla” que alie vacinação e infecções naturais. Há esperança, diz, que o SARS-CoV-2 se torne endêmico neste ano e essa seja a última onda. Isso significa que, a exemplo da gripe, ele se tornará um vírus sazonal, atingindo certas populações mais frágeis.“Dificilmente teremos um botão de liga e desliga. O vírus não vai desaparecer. É, provavelmente, um vírus que encontrará um alvo dentro da população e que veio para ficar."
    1/18/2022
    8:17
  • Ômicron continuará a matar e "não é boa notícia", alerta virologista americano
    Os resultados das primeiras pesquisas realizadas com ratos contaminados em laboratório pela ômicron revelam que a variante poderia provocar menos formas graves. As conclusões geram otimismo, mas ainda precisam ser analisadas com precaução e confirmadas na população.  Taíssa Stivanin, da RFI No final de dezembro, um consórcio formado por cientistas japoneses e americanos divulgou uma pesquisa feita com camundongos e hamsters contaminados pela ômicron e por outras variantes do SARS-CoV-2. Os testes começaram assim que as equipes conseguiram isolar a nova cepa do vírus, descoberta em novembro na África do Sul, e que já se tornou dominante em diversos países. O estudo mostrou que os animais atingidos pela nova variante tiveram os pulmões poupados, perderam menos peso e corriam menos risco de morte. Além disso, tiveram sintomas benignos. Os hamsters sírios, uma espécie particularmente sensível às infecções graves pelo novo coronavírus, também resistiram melhor à nova cepa, o que surpreendeu os pesquisadores. Esses seriam sinais de que a ômicron estaria gerando apenas casos banais? Essa hipótese deve ser analisada com cautela, alerta o virologista americano Michael Diamond, da Universidade de Washington. Em entrevista exclusiva à RFI Brasil, ele lembrou que o SARS-CoV-2 continua sendo um vírus fatal, principalmente na população não vacinada.  “Há muita especulação nesse momento sobre o que difere a ômicron das outras variantes. O que sabemos é que ela tem muitas mutações na proteína spike, usada pelo coronavírus para penetrar nas células, e isso pode torná-la mais contagiosa e hábil para driblar anticorpos. Essas vantagens, entretanto, têm um custo, que pode ser o de não ser capaz de infectar as mesmas células e da mesma maneira que as outras variantes", diz. Uma das hipóteses, que ainda precisa ser confirmada, é que as mutações da ômicron a impediriam de infectar algumas células pulmonares como as cepas anteriores, como indica um estudo prévio da universidade de Hong Kong, que ainda não foi revisado. Os pesquisadores recolheram amostras de tecidos durante cirurgias e descobriram que a ômicron se desenvolvia mais lentamente que as outras variantes nas células dos pulmões. A forma grave da Covid-19 se desenvolve justamente quando o corpo reage de maneira intempestiva à invasão do vírus nos pulmões, gerando uma inflamação, conhecida como Síndrome de Tempestade de Citocinas. Ela provoca uma resposta imunológica exacerbada e a temida falência respiratória, motivo de tantas mortes. Cientistas ainda buscam entender ômicron Nos estudos realizados em dezembro, uma outra equipe da universidade de Cambridge, no Reino Unido, avançou a hipótese de que a proteína TMPRSS2, presente na mucosa pulmonar, teria um papel fundamental nesse processo, mas ela teria dificuldades de se “encaixar” na ômicron. Isso explicaria a prevalência de sintomas restritos ao trato respiratório superior, como dor de garganta com extinção da voz. A perda do olfato e paladar, no entanto, foi um sintoma que ainda não foi observado na nova variante – o que dificulta sua detecção porque muitos podem pensar que estão com um simples resfriado. Segundo o virologista americano, é possível que diferentes grupos de proteínas, e não apenas a TMPRSS2, interajam com as mutações presentes na proteína spike da ômicron. “Pode existir outras razões, ainda é cedo para saber. Pode ter também outro mecanismo associado ao vírus envolvido no processo, com diferentes receptores, agindo de formas variadas e até mesmo não envolva a proteína spike” O virologista americano também lembra que, apesar da capacidade da ômicron de driblar anticorpos produzidos pelas vacinas ou infecções anteriores, os imunizantes continuam sendo eficazes para proteger a população das formas mais graves. As três doses do imunizante à base de RNA mensageiro também diminuem em cerca de 75% a possibilidade de contrair uma forma sintomática por, pelo menos, cerca de 2 meses, indicam os primeiros estudos.  Vacinação global A imunidade celular de cada indivíduo, exercida pelos linfócitos T e seus subtipos e construída ao longo da vida, também exerce um papel ainda desconhecido contra o SARS-CoV-2. Muito além das vacinas, cada indivíduo possui um arsenal único de proteção – por que algumas pessoas, por exemplo, mesmo sendo frágeis, não contraem o vírus mesmo às vezes morando com um contaminado? Mas, apesar dos sinais positivos que indicam uma menor habilidade da ômicron de gerar casos graves, o cientista americano não considera o aparecimento da cepa como uma “boa notícia”. “A doença continuará provocando formas severas, em não vacinados, imunodeprimidos, e continuará provocando mortes” O único lado bom, diz, é que a situação seria bem pior se a perigosa variante delta fosse tão contagiosa quanto a ômicron. A aparição de uma nova cepa, de toda maneira reforça, a necessidade de um esforço coletivo para vacinar as populações, principalmente em continentes onde a taxa é extremamente baixa, como é o caso da África. O virologista da Universidade de Washington também lembra que os nichos de não vacinados em países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos e da França, contribuem para o descontrole da epidemia. “A única maneira de lutar contra transmissão é continuar vacinando as pessoas ao redor do mundo, para prevenir potenciais propagações. Caso contrário, teremos novas variantes surgindo de tempos em tempos, por um longo período”
    1/11/2022
    6:57
  • Retrospectiva 2021: ômicron acaba com sonho de retorno à vida normal
    O ano de 2021 começou em plena onda epidêmica da variante alpha do SARS-CoV-2 e com populações do mundo todo sendo submetidas a medidas de restrição rígidas. Com previsões pessimistas, agora 2021 termina com a chegada da variante ômicron e questionamentos sobre a eficácia das vacinas contra a nova cepa.  O primeiro Ano Novo na França após o início da epidemia, em 2020, foi celebrado com toque de recolher: as pessoas não podiam sair de casa entre oito da noite e seis da manhã. Festas também foram proibidas e, em casa, a regra era ter apenas seis convidados à mesa. O fim de 2020 marcou, desta forma, o começo da era epidêmica, que mudaria o cotidiano do mundo nos próximos anos. Mas o surgimento das vacinas contra a Covid-19 no final de 2020 alimentou a esperança de que a vida poderia, após quase um ano de restrições, voltar ao normal. No início do ano passado, o acesso aos imunizantes era raro e, na maior parte dos países, a população aguardava com ansiedade a possibilidade de se vacinar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores ao redor do mundo constatavam cada vez mais casos de doentes que, meses após a contaminação, apresentavam sintomas como falta de ar e problemas de concentração e cansaço, que muitas vezes impediam as pessoas de executarem suas tarefas normalmente no cotidiano. Covid longa Os clínicos e pesquisadores passaram a se interessar mais de perto pela síndrome que ganhou um nome: Covid longa. Em Paris, o hospital Foch constatou o fenômeno após o primeiro lockdown na França, de maio de 2020, e criou um setor especial para receber os doentes. Na época, Nicolas Barizien, especialista em Medicina Esportiva no estabelecimento, explicou que a maior parte dos pacientes tiveram versões leves da Covid-19, não foram hospitalizados, mas relataram o retorno dos sintomas, como se a doença tivesse se tornado crônica. Os resultados dos exames, entretanto, eram normais. “Os pacientes relataram um impacto real na qualidade de vida, no cotidiano. Os sintomas muitas vezes fazem com que sejam incapazes de levar uma vida normal. Eles descrevem, por exemplo, uma sensação de falta de ar, mesmo com um esforço mínimo”, disse. As pesquisas continuaram e, alguns meses depois, a OMS reconheceu a síndrome e criou uma definição para a Covid longa: uma doença que ocorre em pessoas que foram diagnosticadas positivas, com sintomas que não podem ser explicados por outro diagnóstico. Fascínio e desconfiança Neste início de 2021, as vacinas a base de RNA mensageiro, produzidas pela Pfizrer e a Moderna, haviam acabado de chegar ao mercado e causavam, ao mesmo tempo, fascínio e desconfiança na população. A tecnologia, ainda pouco conhecida, despertava curiosidade, mas também questionamentos. No dia 13 de janeiro, o papa Francisco, 84 anos, foi imunizado no Vaticano. Em uma declaração simbólica, ele disse que a oposição à vacina era um “negacionismo suicidário”, incitando à imunização. Em uma mensagem em espanhol divulgada alguns meses mais tarde, em agosto, ele incitou a população a se vacinar – o que, em suas palavras, representava "um ato de amor". Na corrida pelo estoque de vacinas, Israel se antecipou e adquiriu antecipadamente milhões de doses da Pfizer. O Reino Unido também foi um dos primeiros países a generalizar a imunização, utilizando principalmente o soro do laboratório AstraZeneca. A tática utilizada pelo primeiro-ministro Boris Johnson, ele mesmo vítima da Covid-19, foi a de aplicar uma dose do imunizante e esperar alguns meses antes do reforço – nessa época, uma dose já combatia com eficácia a cepa alpha. Desta forma, mais pessoas poderia ser imunizadas. O efeito da vacinação se tornou visível rapidamente. O Reino Unido reabriu escolas em março e a vida aos poucos foi voltando ao normal. Invejado no início por muitos, o imunizante da AstraZeneca passou a gerar desconfiança após o aparecimento de casos de trombose. Alguns países, como a França, só autorizaram seu uso para maiores de 55 anos. Aos poucos a vacina foi perdendo espaço para os imunizantes a base de RNA na Europa. Despreparo A União Europeia se mostrou despreparada no início da campanha da vacinação e as doses eram raras, reservadas no início apenas para os mais idosos com patologias pré-existentes. A Covid-19 também revelou a falta de coordenação das autoridades mundiais para gerenciar pandemias, como lembrou o virologista Christian Brechot, professor de Medicina da Universidade da Flórida, ex-diretor do Inserm (Instituto Nacional francês de Saúde e Pesquisa Médica) e do Instituto Pasteur. “Penso que o controle de uma pandemia passa pela vacina, por novos tratamentos, mas também pela capacidade de usar melhor os progressos tecnológicos que foram feitos na área diagnóstica", declarou. Um dos erros da epidemia, diz, foi justamente a lentidão dos diagnósticos. É preciso ter uma maior reatividade, lembra. “Isso permite manter uma vida econômica, apesar da pandemia." Epidemia de doenças mentais Em 2021, uma outra epidemia surgiu, paralelamente à da Covid-19. As dificuldades provocadas pelo vírus geraram uma explosão de casos de depressão e outras doenças mentais, provocadas pelo distanciamento social, o isolamento e outras restrições. Em alguns casos, o medo de pegar a doença se transformou em fobia, como explicou o psiquiatra francês Eric Malbos à RFI. Encostar na maçaneta de uma porta, por exemplo, tornou-se um desafio para alguns pacientes. Alguns deles já tinham fobias e o quadro foi agravado pela epidemia. Em outros casos, as pessoas desenvolveram o temor de ficarem doentes, um transtorno ansioso. Eric Malbos criou um método para ajudar os pacientes a se desvencilhar desses medos, utilizando a realidade virtual. Eles são confrontados a seus temores em ambientes que simulam, por exemplo, uma exposição ao vírus.  As preocupações com a epidemia também afetaram o sono da população mundial e de muitos franceses. Um estudo realizado após primeiro lockdown na França, entre março e maio de 2020, concluiu 47% dos 2.000 mil entrevistados tinham problemas de sono – quase 17% mais que nos períodos anteriores à epidemia. Para a psiquiatra Sylvie Roland Parola, o problema é que, durante o lockdown, as pessoas dormiam e acordavam cada vez mais tarde. Esse tipo de comportamento, explica, é observado em períodos de isolamento. “O tempo passado diante das telas também aumentou de forma dramática, em todas as faixas etárias, e principalmente à noite, o que atrapalha o sono”, recorda. Passaporte sanitário A partir de abril de 2021, com o avanço da vacinação, os países europeus começaram a avaliar a possibilidade de criar documento para vacinados, que facilitaria a circulação entre fronteiras. Em junho, surgiria o certificado europeu de vacinação. A França adotou o passaporte sanitário, que autoriza, desde julho, o acesso a bares, restaurantes, museus, cinemas, academias e outros locais públicos. No início do verão europeu, a população europeia estava otimista em relação ao futuro pandêmico. As vacinas funcionavam, estavam disponíveis no continente e havia esperanças concretas de que, aos poucos, a vida poderia voltar ao normal. Mas, uma nova variante jogaria um balde de água fria no mundo: a aparição da delta, uma cepa mais contagiosa e mais resistente aos imunizantes, gerou dúvidas sobre a possibilidade de obtenção de uma imunidade coletiva e o fim das restrições, com o avanço da imunização. Havia ainda outros problemas: o acesso desigual aos imunizantes nos países mais pobres, o que poderia facilitar a emergência de novas cepas, mais contagiosas e com escape imunitário. A esses fatores, somou-se o fato de que os menores de 12 anos ainda não podiam ser imunizados, mas as escolas, em muitos países, continuaram abertas, como foi o caso francês. Por isso, em setembro de 2021, início do ano letivo no hemisfério norte, uma das principais preocupações era como o vírus iria circular entre não vacinados e crianças – dois redutos epidêmicos. Na época, a especialista francesa em Saúde Pública Hélène Rossinot lembrou que a circulação do ar nas salas de aula, com sensores de CO2, seria essencial para lutar contra a propagação – um equipamento raro na maior parte das escolas públicas francesas. "Para mim, é uma aberração que as crianças não sejam mais protegidas", ressaltou. Nova onda epidêmica Neste mês de setembro, a euforia que antecedeu o verão cedeu espaço à preocupação. Os casos cresceram com a chegada do outono, apesar da alta taxa de vacinação no continente europeu, e os países começaram a enfrentar novas ondas epidêmicas. Na Alemanha, o número de contaminações superou os ínidices da primeira onda, em 2020. Na França, a situação nas escolas foi um prenúncio do que o inverno reservaria para a população. Um número cada vez maior de classes fechou as portas, e muitos cientistas questionaram se o controle da epidemia seria possível sem a vacinação infantil. A resposta foi não: no final de outubro, a FDA, a agência americana de medicamentos, aprovou o imunizante da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos. Os Estados Unidos começam a vacinar os menores dessa faixa etária em novembro, apesar das reticências em muitos países, como é o caso na França. A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Guen, afirma que a doença nunca foi perigosa para essa faixa etária. "Não me preocupo com a saúde das crianças, que não são, de forma nenhuma, alvo das formas graves da Covid-19", disse. Ômicron: o retorno à estaca zero Neste fim de novembro de 2021, o aparecimento da ômicron, a variante detectada na África do Sul, colocou fim à esperança de que o mundo poderia voltar a ser como antes em 2022. Mais contagiosa, a cepa parece se propagar tão rapidamente que as ondas epidêmicas se transformam em tsunamis, como rapidamente mostrou a situação no Reino Unido. As mutações da ômicron na proteína Spike, que o coronavírus utiliza para entrar na célua, a tornam menos sensível às vacinas. Atualmente, já se sabe que, sem uma terceira dose, a proteção seria insuficiente contra infecções sintomáticas – mas os dados preliminares não permitem ainda afirmar se o esquema vacinal com duas doses protege completamente de formas graves, nem por quanto tempo. A Pfizer já anunciou que prepara um imunizante específico para a cepa. Neste contexto, o ano de 2022 começa na expectativa de como a Europa, a França e o mundo vão enfrentar essa nova ameaça, e se ela servirá de lição para uma distibuição mais igualitária dos imunizantes.
    12/28/2021
    12:14
  • “Vacinas de RNA mensageiro se adaptam facilmente às variantes”, diz pioneiro da técnica
    O aparecimento da variante ômicron do coronavírus (B.1.1.529), detectada na África do Sul, cria incertezas sobre a eficácia das vacinas atualmente disponíveis. Muitos governos, que iniciam as campanhas para aplicar a terceira dose, se questionam se os imunizantes serão eficazes contra a nova cepa. Taíssa Stivanin, da RFI O laboratório Pfizer já anunciou que está preparado para ajustar o imunizante à nova cepa e distribuir as primeiras doses em 100 dias. A vacina de RNA mensageiro que chegou ao mercado há cerca de um ano se tornou a principal arma contra a epidemia, que, apesar das ondas sucessivas, não voltará mais ao patamar de 2020, período em que as medidas restritivas eram essenciais para enfrentar o vírus. Tudo é uma questão de tempo e de ajustes, disse em entrevista à RFI o imunologista francês Steve Pascolo, pesquisador da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos inventores da técnica do RNA mensageiro. A previsão no futuro, afirma, é que a vacinação contra a Covid-19 seja anual e siga um esquema vacinal como o da gripe, combinando um imunizante contra as duas doenças. "Provavelmente, as indústrias já trabalham em uma vacina sintética na base de RNA, que associa a proteína recombinante do SARS-CoV-2, a Spike, e a proteína que codifica para o vírus da gripe. O objetivo é combinar em uma única vacina polivalente, anti-SARS-CoV-2 e antigripal, com vários RNAs", explicou. Sobre a adaptação das vacinas às novas variantes, o pesquisador lembra que os imunizantes ainda funcionam. O soro da Pfizer, que é atualmente distribuído mundialmente, foi produzido com base na cepa original, surgida em Wuhan, em 2020, mas combate a delta, a cepa até então majoritária. Se a ômicron exigir uma adaptação da vacina, os laboratórios estão preparados para modificar o produto. "As empresas testam RNAs mensageiros que codificam a proteína Spike de diferentes variantes. Eles preparam a possibilidade de poder substituir o RNA mensageiro da primeira vacina por outro que codificaria para uma proteína Spike variante de outra cepa, ou até mesmo para duas cepas”, ressalta o pesquisador francês. Combinação de vários RNAs A grande vantagem do RNA mensageiro, lembra Steve Pascolo, é a possibilidade de combinar vários RNAs mensageiros em um só imunizante. "Atualmente, a vacina contra a Covid-19 contém apenas um RNA mensageiro, mas é muito fácil combinar vários outros, que podem codificar proteínas Spikes de variantes diferentes ou RNAs mensageiros que codificam outros vírus, como o da gripe", disse. Essa é uma das grandes vantagens dessa tecnologia: combinar diferentes moléculas de RNA e realizar uma injeção polivalente. Sobre a necessidade atual de fazer uma terceira injeção após seis meses, o imunologista lembra que a ciência evolui junto com a epidemia.  O esquema vacinal vai se adaptar com o tempo, em função dos resultados dos estudos e do aparecimento de novas variantes. "A população deve se adaptar ao fato de que a medicina é dinâmica e que nós aprendemos à medida que o tempo passa o que é preciso fazer. Nós nos adaptamos." Segundo ele, em relação à terceira dose, será preciso avaliar se a proteção contra a transmissão da Covid-19 continuará sendo eficaz, sobretudo com o aparecimento de novas variantes. "Difícil prever, por enquanto, se a ômicron exigirá a mudança da estratégia de vacinação. Não podemos prever a duração da imunidade com as vacinas, é preciso acompanhá-la e reagir em função do que observamos.” Imunidade coletiva O pesquisador francês também lembra que o SARS-CoV-2 é um vírus novo, e muitas pessoas ainda não entraram em contato com ele. É provável que, com o tempo, toda a população, vacinada ou não, seja contaminada e desenvolva uma forma de imunidade contra o microrganismo. "Quando estamos vacinados, não desenvolvemos sintomas graves e estamos protegidos contra a Covid-19, mas o sistema imunológico é fortalecido pela infecção. Teremos, ao longo dos meses e dos anos, uma proteção global contra o SARS-CoV-2 graças à vacinação e à infecção, que vai continuar a se propagar, porque ainda há muitos não vacinados, tem as crianças, e podemos pegar os vírus imunizados, ainda que a taxa de infecção seja reduzida.” De acordo com o cientista, uma imunidade global acabará sendo atingida pela combinação entre a vacinação e a infecção. “Podemos imaginar que dentro de três anos, todos na Terra já terão cruzado com o SARS-CoV-2 e terão uma imunidade contra o coronavírus”.
    12/7/2021
    5:04

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