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  • Eleição de Draghi como presidente pode levar Itália à instabilidade política, diz analista
    Teve início nesta segunda-feira (24) o processo eleitoral que vai definir o novo presidente da Itália. A escolha é pelo voto indireto de 1.009 “grandes eleitores”, grupo formado por senadores, deputados e delegados regionais. Apesar do favoritismo de Mario Draghi, atual chefe de governo, não é possível cravar o nome do sucessor de Sérgio Mattarella, que indicou não querer disputar a reeleição. No sistema eleitoral italiano, a votação para a escolha do chefe de Estado é comparada ao conclave para escolher o papa. “Quem entra no conclave como papa, sai como cardeal”, diz a máxima. O mesmo pode-se dizer da escolha do nome que vai ocupar o Palácio Quirinale, sede da presidência. A prudência recomenda que os aspirantes ao cargo não façam campanha pois o vencedor costuma sair de longas tratativas entre os partidos. Com Mattarella já fazendo as malas para deixar o cargo, e a desistência anunciada do ex-premiê Silvio Berlusconi, que alegou problemas de saúde, os holofotes se voltam para Mario Draghi, o primeiro-ministro que está à frente de uma coalizão de governo que mantém a governabilidade do país. O problema não seria a credibilidade de um político hábil e que desfruta de boa imagem dentro e fora da Itália, segundo especialistas. “É um cenário bastante complexo. O mais provável seria a candidatura de Mario Draghi, é a chance de ele ser eleito. Mas nem todos os partidos estão de acordo com isso, nem os partidos de esquerda nem de direita”, analista o sociólogo Fabio Gentile, professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Ceará. Uma transferência neste momento de Draghi da chefia de governo para a presidência poderia resultar no esfacelamento da atual aliança de partidos políticos, o que poderia antecipar as eleições legislativas previstas para o início de 2023. “Nada impede que o Draghi, atualmente chefe de governo, seja presidente. Mas o problema é que isso significa voltar a ter eleições. Não sei se todos os partidos estariam de acordo em voltar às urnas”, diz. O sociólogo ressalta o risco de que a mudança traria para todo o cenário político e para a sociedade italiana.  “Poderia levar a uma instabilidade pois os partidos podem não estar prontos para uma nova eleição (legislativa) antecipada. Deveria levar um tempo para preparar as novas candidaturas e também para a escolha de um novo primeiro-ministro. Poderia ser realmente um problema a instabilidade política nesta conjuntura, marcada também pela pandemia. Talvez a escolha de Draghi não seria a melhor escolha”, opina. Draghi tem apoio das instituições supranacionais como União Europeia e do Banco Central Europeu, que governou por um longo período (2011 a 2019), mas esse apoio não seria suficiente para interferir na escolha. Por isso, Fabio Gentile não descarta a votação em um nome que atualmente não desponta como favorito. “É possível que seja eleito um candidato que não esteja sendo muito indicado nem exposto na mídia e nas conversas entre os partidos”, diz, sem arriscar algum nome que possa se encaixar nesse perfil. Diante do cenário complexo, a escolha do novo presidente da Itália pode levar vários dias, já que é preciso ter durante várias votações dois terços dos votos, o que não parece estar próximo de acontecer. Independentemente do nome e do tempo que levar a definição, o professor da Universidade Federal do Ceará tem apenas uma convicção: a de que nada deverá abalar as boas relações da Itália com o Brasil.    “São dois países que têm uma relação muito amigável e sempre foi assim. Tirando aquele ‘acidente’ que foi o caso Battisti, que foi resolvido, são dois países que nunca tiveram problemas. Qualquer que seja o presidente eleito, as boas relações vão continuar”, afirma Gentile.
    1/24/2022
    7:01
  • Brasil não foi prioridade de 1° ano de Biden, mas eleição de 2022 pode alterar relação bilateral
    O presidente norte-americano Joe Biden completou nesta quinta-feira (20) um ano à frente da Casa Branca, com reformas bloqueadas e popularidade em baixa. Internacionalmente, os rivais russos e chineses desafiam os Estados Unidos e o líder democrata ainda não conseguiu recuperar completamente o prestígio americano. Já a relação com América Latina não foi uma prioridade nesse início de mandato do chefe de Estado, segundo a análise do cientista político Gaspar Estrada, do Observatório Político da América Latina da Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris.  “Biden começou focando na agenda de política interna”, resume o professor. Estrada lembra que o presidente norte-americano conta com uma maioria muito estreita no Congresso, em particular no Senado, um contexto que o obrigou a fazer muitas concessões para avançar – por enquanto sem muito sucesso – nas reformas dentro do país. “No que diz respeito à política externa, a prioridade do presidente democrata foi voltar a reconstruir um pouco de normalidade em um governo, [com] um Departamento de Estado destroçado pela administração Trump”, afirma o cientista político. Com isso, apenas os temas internacionais mais urgentes, como as tensões com a China e a Rússia, ou a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão, pontuaram o primeiro ano do mandato. Biden evita foto com Bolsonaro, presidente "extremista" No caso específico diálogos com o Brasil, a situação foi mais complexa, explica o professor. “Foi uma relação conturbada, complicada. Em primeiro lugar porque até hoje o Bolsonaro e a família dele ainda criticam a própria eleição do Biden”, comenta. Mas segundo Estrada, há uma desconfiança mútua. “O governo americano não quer tirar uma foto com um presidente extremista como o Jair Bolsonaro. No entanto, há uma relação bilateral. Há por parte dos Estados Unidos o medo e a vontade de evitar que o governo Bolsonaro estreite os laços com a China”. A política ambiental brasileira também é um aspecto que pesa na relação entre Washington e Brasília. “O governo americano tem tentado conversar com outros poderes do Brasil, em particular com os governadores, para evitar esse aumento do desmatamento da Amazônia”, ressalta o cientista político, lembrando que essa também é uma estratégia de governos europeus. “Mas é claro que sem o apoio do governo federal é muito mais difícil combater o desmatamento ilegal”.   Esperando as eleições Para o professor, essa situação ambígua entre Washington e Brasília deve se manter pelo menos até o final de 2022, quando haverá eleições importantes de ambos os lados. “O americano está ligado à eleição de meio mandato que vai acontecer em novembro. A previsão é que os republicanos vençam. Com a administração Biden ainda mais frágil e sem maioria no Congresso, vai ser mais difícil ter maiores ambições do ponto de vista político", aponta.  Mas "com um governo brasileiro mais 'normal' haverá a possibilidade de ter uma cooperação mais construtiva entre a administração democrata e um eventual governo Lula", explica o professor. "O governo americano aguardará o resultado das eleições. Se houver uma eventual alternância de poder, acho que as relações do Brasil com o mundo voltarão à normalidade”, finaliza.
    1/20/2022
    7:06
  • Onda de calor e excesso de chuvas: Brasil não está preparado para efeito das mudanças climáticas
    O calor extremo testemunhado no sul do Brasil, assim como as chuvas torrenciais que devastaram diversas cidades na Bahia e em Minas Gerais no último mês são consequências das mudanças climáticas que estão se tornando mais frequentes. A especialista em políticas climáticas do Observatório do Clima, Stela Herschmann, afirma que o país não está preparado para esses eventos extremos e, ao mesmo tempo, tem andado para trás em todas as políticas ambientais. Em entrevista por telefone à RFI, a especialista lembra que o Brasil tem batido recordes de desmatamento da Amazônia, sem precisar ampliar sua área cultivada. Herschmann diz ainda que a economia brasileira tem muito a perder com as mudanças climáticas. Confira os principais trechos deste conversa: RFI - A OMM (Organização Meteorológica Mundial) confirmou nesta quarta que os últimos sete anos foram os mais quentes da história do planeta. Como essa nova marca se associa com os alertas feitos por ambientalistas há anos? Stela Herschmann - O aumento da temperatura da Terra é um dos reflexos das mudanças climáticas que o mundo hoje está vivendo. O relatório do IPCC do ano passado mostrou que é inequívoco que o que o homem está causando a parte majoritária dessas mudanças climáticas. Então o mundo já aqueceu 1,1°C, e o homem teria sido a causa dominante e teria contribuído com pelos 1,07°C desse aquecimento. Esses eventos climáticos que a gente tem testemunhado, calor extremo chegando na América do Sul mesmo em um ano de La Niña que, em tese, resfria esta região do planeta, são eventos que estão se tornando mais intensos e mais frequentes devido às mudanças do clima. O mundo inteiro está sendo impactado pelas mudanças climáticas. Este não é um problema do futuro. Isso não é exceção para o Brasil. RFI - Temos estimativas de como esses eventos climáticos vão afetar o Brasil? SH - Sabemos que a região produtora do Centro-Oeste brasileiro vai ter um número maior de dias quentes, ela vai sofrer mais com a falta de chuva. Isso impacta a produção brasileira e vai ter reflexos na economia. Principalmente porque o agronegócio brasileiro é muito dependente do regime de chuvas. A gente não tem uma agricultura baseada em sistemas de irrigação. Além disso, a gente tem impactos de infraestrutura, de desastres naturais, de mortes. Vimos recentemente no sul da Bahia, em Minas Gerais, perda de vidas, de casas, de infraestrutura. E o Brasil é muito pouco preparado para a adaptação a essas mudanças que já estamos experimentando. RFI - O que o país precisa fazer em matéria de mudanças climáticas e políticas ambientais? SH - O Brasil está andando para trás. O país tem o potencial de ser mais do que carbono neutro, poderíamos ser inclusive carbono negativo e ser um exemplo para o mundo. Mas temos um governo que faz tudo para atrapalhar. Temos taxas de desmatamento que são recordes ano após ano, desde que este governo assumiu. Na COP26, que tivemos em Glasglow no fim do ano passado, o governo literalmente escondeu esses dados, mentiu para toda a comunidade internacional. A gente não tem uma política climática. As metas que este governo apresentou são retrocesso àquelas apresentadas em 2015 em Paris. Precisamos realmente esperar este governo passar. Precisamos que o próximo governo recoloque o país nos trilhos e dê uma contribuição real para o combate das mudanças climáticas. Temos estudos mostrando que o Brasil poderia, até 2030, reduzir em até 81% as suas emissões. Temos essa condição de chegar antes da metade do século como carbono negativo. Precisamos de metas internacionais e uma política de implementação dessas metas que reflitam isso. Hoje, o compromisso climático do Brasil não é condizente nem com o tanto que o país contribuiu para as mudanças climáticas nem com o potencial que o Brasil tem de ser um líder nesta área. RFI - O presidente francês Emmanuel Macron, que acaba de assumir a presidência do Conselho Europeu, defendeu que a União Europeia não assine o acordo econômico com o Mercosul devido à falta de compromisso brasileira com o clima. E voltou a dizer que pretende aprovar a regra para que a UE deixe de comprar produtos de área de desmatamento. Essas medidas têm algum peso? SH - São regras importantes para de fato impulsionar uma mudança de atitude que precisamos no mundo inteiro. O mundo não pode mais desmatar, a gente precisa frear este desmatamento. E o Brasil tem este potencial também, não precisamos de novas áreas para produzir. Já tivemos políticas muito efetivas de combate ao desmatamento, o que temos hoje com este governo é um desmonte dessas políticas. O reflexo disso é queda das multas na apreensão de madeiras e de embargos, e o aumento recorde do desmatamento nos últimos anos. O Brasil e outros 140 países assinaram, durante a COP26, um compromisso de não só zerar o desmatamento, mas também de reflorestar e restaurar essas florestas. É importante que a gente, além de zerar o desmatamento, proteja as nossas florestas, através das unidades de conservação e das terras indígenas, e promova a restauração de nossas florestas.
    1/19/2022
    7:06
  • Pediatra espera aprovação rápida da CoronaVac infantil no Brasil para acelerar vacinação
    A campanha de vacinação anticovid de crianças de 5 a 11 anos de idade foi aberta em todos os estados brasileiros, após semanas de polêmicas geradas principalmente pela posição do governo federal. O problema agora é a falta de doses da vacina da Pfizer-BioNTech, a única autorizada até o momento na população infantil, e a vacinação deve avançar lentamente. Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), prevê que se a vacina da CoronaVac for aprovada ainda este mês pela Anvisa seria possível vacinar com pelo menos uma dose todas as crianças. A campanha de vacinação de crianças começou em todo o país quase um mês após a aprovação do uso do imunizante da Pfizer-BioNTech na população infantil. Renato Kfouri lembra que, como em outros países, a Anvisa “cumpriu com todos os rigores de licenciamento necessários, exatamente como foram cumpridos os protocolos de segurança e eficácia em todas as faixas etárias”. O médico critica as “novas tentativas de obstruir o processo científico” que antecederam a ampliação da imunização à população infantil no Brasil. Segundo ele, essas tentativas são feitas por “pessoas ligadas a grupos antivacinistas, os mesmos que defendem medicação que não funciona e o não uso de máscaras. É uma pena! Isso cria obviamente insegurança em muitas famílias, gera hesitação em vacinar, mas, felizmente, a população brasileira ainda tem uma credibilidade muito alta nas vacinas e vão vacinar seus filhos”. Mesmo assim, ele defende a necessidade de continuar informando e desmistificando “as notícias falsas que amedrontam muitos pais”. Proteção direta Renato Kfouri afirma que a nova etapa da campanha de vacinação já era esperada e que seus benefícios são inequívocos: “Já era esperado avançarmos na vacinação da população pediátrica na medida em que completamos a vacinação de adultos e adolescentes acima de 12 anos (...) Como estratégia de prevenção da doença e, principalmente, de novas ondas, a ampliação da base vacinada é uma necessidade de proteção direta para as crianças vacinadas e de proteção indireta, reduzindo as transmissões.” Mas o principal objetivo da vacinação é a proteção direta contra a Covid-19. “Nós temos mais de 30 mil hospitalizações de crianças e adolescentes, mais de 2.500 óbitos, uma centena de mortes por síndrome inflamatória por complicação da Covid, temos uma morte a cada dois dias de crianças entre 5 e 11 anos de idade. Nós temos razões de sobra para vacinar nossas crianças e protegê-las de uma doença que faz mais vítimas do que todas as doenças do calendário infantil somadas juntas”, alerta o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP. Frear a atual alta de contaminação provocada pela variante ômicron seria um “bônus”. A vacinação infantil colabora na “redução da transmissão, mas não é preponderante”, informa o médico. Vacina pediátrica Renato Kfouri acredita que as cinco milhões de doses da vacina Pfizer-BionTech distribuídas em janeiro “serão suficientes para vacinar as crianças mais vulneráveis de 5 a 11 anos e quem sabe as crianças (não vulneráveis) de 9 a 11 anos. Em fevereiro e março, completaremos a vacinação com as 20 milhões de doses programadas para receber neste período”. Ele defende a aprovação da vacina pediátrica da CoronaVac no Brasil. “Há a expectativa da aprovação da CoronaVac, que está em submissão pela Anvisa. Já temos aqui no país 15 milhões de doses em estoque para pronta entrega, ou seja, se a Anvisa entender que a CoronaVac preencheu os critérios e em breve liberar o seu uso, ainda em janeiro conseguiremos oferecer para 100% das crianças de 5 a 11 anos uma primeira dose da vacina Covid-19, o que seria absolutamente desejável em função da volta às aulas no início de fevereiro”, espera Renato Kfouri. A vacina anticovid não é obrigatória e o Brasil ainda não adotou, como em outros países, o passaporte vacinal. Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (17) revelou que a grande maioria da população brasileira é a favor do certificado. O presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP acha desnecessário um mecanismo de obrigatoriedade para as crianças frequentarem as escolas. “Punir a criança duplamente, deixá-la sem saúde e sem educação, seria um dano muito grande”, acredita. Renato Kfouri, no entanto, acha “absolutamente adequado” a exigência do passaporte da vacina para frequentar ambientes fechados e turísticos. “Você não pode colocar em risco a saúde dos outros por conta de uma opção sua de não se vacinar”, conclui.
    1/18/2022
    7:04
  • Nova edição de "Pedagogia do Oprimido" resgata obra de Paulo Freire na França
    O livro de Paulo Freire Pedagogia do Oprimido ganhou uma segunda edição na França. Com prefácio da professora da Universidade de Paris 8 e especialista da obra do autor, Iréne Pereira, a nova edição de uma das obras mais conhecidas de Freire, publicada 40 anos após a primeira, traz adaptações ao contexto atual e elucida pontos desconhecidos da obra do autor na França.  Paulo Freire é um dos autores brasileiros mais influentes no mundo intelectual principalmente no mundo ibérico, na América do Norte e também na África. Mas na França, a visão sobre a obra do autor é limitada principalmente aos anos 1970. Ele é citado sobretudo por seu papel na alfabetização de adultos e na educação popular.  "Nos anos 70 ele vivia em Genebra e tinha relações com pessoas na França. Mas quando ele voltou para o Brasil nos anos 1980, sua obra foi um pouco esquecida e toda a parte da obra do Paulo Freire dos anos 80 nunca foi traduzida para o francês", explica Iréne Pereira.  Além de Pedagogia do Oprimido, a única obra do educador publicada em francês é Pedagogia da Autonomia (Érès). Segundo ela, as ideias de Paulo Freire também teriam "saído de moda" porque foram associadas ao marxismo, que foi deixado de lado pelos intelectuais franceses nos anos 80. De acordo com a especialista, na França, algumas pessoas que conhecem a obra de Paulo Freire pensam que ele foi influenciado pelo pedagogo francês e fundador da corrente Escola Nova, Célestin Freinet, mas não é a realidade. "São duas visões diferentes da educação. Paulo Freire dizia que ele não queria mudar a sala de aula, mas sobretudo mudar a sociedade e essa é uma das diferenças entre a Escola Nova e a obra de Paulo Freire." Para Pereira, a nova edição elucidará alguns pontos ainda desconhecidos da obra do autor na França. "Paulo Freire escreveu vários textos onde ele falou sobre Pedagogia do Oprimido, mas estes textos não foram traduzidos para o francês, por exemplo Pedagogia da Esperança, que é uma releitura de Pedagogia do Oprimido", diz. "Então para o público francês era importante dizer também o que dizia Pedagogia da Esperança para que as pessoas tenham uma visão mais atual da leitura de Pedagogia do Oprimido".  Repensar a escola Para Maria Luísa Souto Maior, do Coletivo de Leitoras de Paulo Freire, em um momento em que a escola tem que se reerguer após meses fechada por conta da pandemia, Pedagogia do Oprimido pode ajudar professores e educadores a repensar formas de educação. "Acho que esse livro tem ferramentas que podem ajudar professores, que podem ajudar pedagogos, como fazer uma nova escola, como ajudar as crianças hoje a saírem dessa fobia social que a gente tem vivido, esse pânico social, medo das relações com outro", lista. Mas ela lembra que a obra do educador deve ser lida de acordo com o contexto e o aluno. "Freire não trabalha exatamente uma pedagogia única, ele não dá uma receita pronta de bolo para um professor ir para a sala de aula e dizer ‘hoje a gente vai fazer assim e assado’. Não, ele era um teórico libertário, ele traz formas de pensar e cabe aos professores chegar na sala de aula e abrir ao diálogo e a partir disso trabalhar com aquela classe com aqueles alunos, naquele lugar onde estão inseridos." Freire foi uma fonte de inspiração para muitos pedagogos sobre questões levantadas atualmente na educação como gênero e ecologia. Entre eles, a autora e teórica feminista americana bell hooks e o educador brasileiro Moacir Gadotti. No prefácio da segunda edição francesa de Pedagogia do Oprimido, Pereira conta o encontro do educador, nos Estados Unidos, com bell hooks, que chama a atenção de Freire para a questão do vocabulário de gênero. "Ele fala sobre isso nos livros seguintes. Essa nova edição inclusive tem uma nova tradução que tomou esses cuidados. Eles seguem agora os preceitos que Freire (sobre gênero) para mudar um pouco a primeira edição", diz.  Pedagogia do diálogo Como lembra a especialista, "Freire defende uma educação politizada mas também uma pedagogia do diálogo, do intercâmbio de ideias no sentido de desenvolver uma consciência social crítica orientada pela justiça social".  Souto Maior explica que Paulo Freire, que é tido por alguns como comunista no Brasil "por ter ideias de justiça social, de liberdade, de consciência crítica, era na verdade católico, uma pessoa muito doce e aparentemente muito fácil de lidar". "Ele é atacado no Brasil pela extrema direita porque representa tudo o que ela não suporta, que ela não respeita, que ela não quer numa sociedade", diz. "A gente precisa então reler Freire e entender o que ele está falando. Claro, ele fala de lutas de classes, mas ele não prega uma sociedade revolucionária e violenta. Ao contrario, ele prega muito mais uma fraternidade e que não haja mais opressores e oprimidos", afirma.
    1/17/2022
    6:59

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