Radio Logo
RND
Listen to {param} in the App
Listen to LINHA DIRETA in the App
(171,489)
Save favourites
Alarm
Sleep timer
Save favourites
Alarm
Sleep timer
HomePodcastsMedia
LINHA DIRETA

LINHA DIRETA

Podcast LINHA DIRETA
Podcast LINHA DIRETA

LINHA DIRETA

add

Available Episodes

5 of 24
  • Pandemia deixa legado de superbactérias resistentes a medicamentos
    Comissões que analisam a presença de infecção hospitalar e orientam equipes médicas sobre o uso de medicamentos já identificaram cepas resistentes aos antibióticos de ponta usados no Brasil. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília A luta contra um inimigo pouco conhecido e potencialmente letal levou equipes médicas mundo afora a usar um arsenal de antibióticos contra a Covid-19. O resultado dessa corrida meio no escuro para salvar vidas gerou um desafio para além da pandemia: o surgimento de novas gerações de superbactérias, resistentes aos remédios conhecidos. Mesmo que o alvo dos antibióticos não seja um vírus, mas sim as bactérias, essas drogas foram usadas no começo da pandemia perante o grande número de pessoas que chegavam aos hospitais à beira da morte. Com o tempo, apesar das informações adquiridas sobre o coronavírus, os antibióticos continuaram a ser prescritos. Ainda hoje, esses medicamentos estão na linha de frente do combate à doença, porque muitos pacientes desenvolvem, como consequência da Covid-19, infecções pulmonares bacterianas. Essas patologias secundárias levaram muitos pacientes internados à morte. Com o surgimento da variante delta, o tempo de hospitalização aumentou, e o uso dos remédios se estendeu por períodos ainda mais longos, favorecendo o aparecimento de cepas que conseguem escapar à atuação dos medicamentos. O médico Ricardo Monteiro, que coordena a frente anticovid no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), estabelecimento público em Brasília que é referência no atendimento de pacientes com o coronavírus, disse à RFI que a exigência de pedido médico para compra de antibiótico nas farmácias ajudou o Brasil a controlar esses microrganismos, mas a Covid-19 jogou por terra os avanços. “A gente tinha conseguido uma melhora nessa situação de infecção hospitalar, mas com a Covid-19 ocorreu o uso desenfreado de antibióticos, até porque não se sabia como agir diante do coronavírus", explicou o especialista. "Além disso, muitos pacientes com Covid-19 desenvolvem uma infecção secundária bacteriana e, por conta disso, houve a orientação para a prescrição de antibióticos, que em muitos casos acabaram sendo usados de forma indiscriminada”, constata o médico. Monteiro relatou que algumas dessas drogas já não se mostram tão eficazes como eram antes da pandemia. “Um antibiótico que tinha até aqui uma efetividade muito boa era a ceftriaxona. Mas, hoje em dia, as comissões responsáveis por avaliar as contaminações hospitalares e definir protocolos para o uso de remédios nos grandes centros já apontam que há cepas que resistem à ceftriaxona", observa Monteiro. "É um assunto delicado, que demandará muito cuidado e análise das equipes e autoridades”, destaca. O ideal, segundo o especialista, seria recolher secreções do paciente e usar o antibiótico específico para cada caso. Mas quando o sistema está sobrecarregado, dificilmente o resultado desses exames fica pronto no tempo esperado para aplicação no paciente que está nos hospitais. Explosão de contaminações adia cirurgias O Brasil registra atualmente a maior média móvel de contaminações desde o início da pandemia, com cerca de 200 mil novos casos da doença dignosticados nas últimas 24 horas. Com a variante ômicron, o quadro só não é pior graças à vacinação, o que é reconhecido pelo próprio Ministério da Saúde. Em muitos hospitais, mais de 90% dos pacientes internados são pessoas que não se imunizaram ou não completaram o esquema vacinal. Em Brasília, onde a ocupação dos leitos de UTI chegou a ser total esta semana por conta da Covid-19 e da gripe, o governador Ibaneis Rocha já discutia o retorno à normalidade de outros procedimentos de saúde, mas teve de voltar atrás. “Há dois meses estávamos discutindo e analisando o retorno de todas as cirurgias eletivas, e agora estamos remanejando leitos para atender pacientes com a Covid-19. Mas a situação já foi pior, hoje nós temos vacinas”, disse o governador. Não vacinados favorecem novas variantes Os especialistas apontam que a saída é mesmo a vacinação, mas a Covid-19 também mostrou que é preciso um esforço para além das fronteiras. Num mundo globalizado, mas desigual e de culturas sanitárias diferentes, não adianta um país inteiro se vacinar se o restante não aderir ou não tiver acesso aos imunizantes. “As pessoas que não se vacinam são o maior campo para a proliferação de novas variantes, porque o corpo delas não oferece qualquer resistência e, assim, há mais tempo para o vírus fazer as mutações. Por isso, é importante avançar ao máximo com a vacinação”, enfatiza o médico Ricardo Monteiro. “Muitos países não têm a cultura vacinal que o Brasil tem. E será preciso romper essa barreira porque, do contrário, nós teremos muitos anos ainda de preocupação com o coronavírus”, adverte o coordenador da frente anticovid do HRAN.
    1/26/2022
    4:50
  • Europa aposta na diplomacia enquanto se prepara para possível invasão russa na Ucrânia
    O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu durante mais de uma hora  por videoconferência com líderes do Reino Unido, da França, Alemanha, Itália, Polônia, União Europeia e OTAN para discutir a escalada de tensão na crise da Ucrânia. A discussão aconteceu no final da noite desta segunda-feira (horário em Bruxelas). Todos concordaram que qualquer futura agressão da Rússia contra a ex-república soviética terá graves consequências. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas Depois da reunião transatlântica, a Casa Branca declarou que o presidente Joe Biden e seus aliados europeus “reiteraram a preocupação contínua sobre o reforço militar russo nas fronteiras da Ucrânia”. Todos os dirigentes ressaltaram “o desejo comum de uma solução diplomática”, porém disseram que em caso de uma invasão, a Rússia sofrerá “consequências massivas e custos econômicos severos”. No final do encontro, Biden elogiou “a total unanimidade” entre americanos e europeus. A videoconferência aconteceu no mesmo dia em que o Pentágono colocou em alerta 8.500 soldados, que poderão ser mobilizados como parte das tropas da OTAN no contexto da crise da Ucrânia. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que pretende propor um “caminho de desescalada de tensão” ao presidente russo, Vladimir Putin. Na quarta-feira, os conselheiros diplomáticos da França, Alemanha, Rússia e Ucrânia se reúnem em Paris. As intenções de Moscou são relativamente previsíveis, porém o seu maior objetivo é bastante claro: desestabilizar a Europa. Apenas o presidente russo sabe como e quando as etapas deste plano serão executadas. Putin será o único a decidir sobre o momento de parar de ensaiar suas manobras militares na fronteira com a Ucrânia e avançar para uma invasão. Em Bruxelas, há um medo real de que a Europa possa estar entrando na sua pior crise de segurança em décadas. A União Europeia tem afirmado que as movimentações das tropas russas são uma tentativa para minar a integridade territorial da Ucrânia. Por outro lado, o pior pesadelo para o líder russo é ver a Ucrânia se juntando à OTAN. O Kremlin quer impedir a expansão da aliança militar em direção ao leste a todo custo. UE não vê necessidade de retirada de diplomatas Diante da ameaça iminente de uma invasão russa, Washington e Londres começaram a retirar alguns diplomatas e suas respectivas famílias da capital ucraniana. Em Kiev, os moradores seguem a vida dentro de uma aparente normalidade e não demonstram nenhum sinal de pânico. Apesar do alerta de um provável ataque russo a qualquer hora, os cafés e lojas estão abertos e cheios de clientes. Para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, “os riscos de uma invasão russa existem há mais de um ano, e eles não aumentaram”. Zelenskiy acredita que o Kremlin está criando deliberadamente uma agitação para prejudicar os ânimos do país. Até o momento, a União Europeia não pediu ao seu corpo diplomático em Kiev para abandonar a Ucrânia. O chefe da diplomacia do bloco europeu, Josep Borrell, não crê que os europeus devam deixar a Ucrânia enquanto as negociações prosseguirem, a menos que os EUA compartilhem mais informações que justifiquem a medida. Ao mesmo tempo, Borrell garantiu que a UE está pronta para agir caso a diplomacia fracasse. Sem consenso sobre sanções Reunidos na segunda-feira em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores do bloco ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre quais sanções poderiam ser impostas contra a Rússia, caso a invasão se concretize. A única certeza dos chanceleres europeus é de que as medidas punitivas deveriam ser aplicadas contra Moscou em um prazo de 48 horas após uma possível invasão, e que teriam que ser coordenadas com os EUA e o Reino Unido, que também prometeram punições. Entretanto, alguns países do bloco europeu receiam retaliações como, por exemplo, o corte no fornecimento de gás. A Rússia é a maior fornecedora de gás natural para a Europa. Para o Kremlin, não há razão para “tanta histeria”, comentou uma porta-voz da presidência russa, “a Rússia sempre assegurou a entrega do gás mesmo durante o pior momento da Guerra Fria”.
    1/25/2022
    6:36
  • Desistência de Berlusconi de concorrer à presidência embola cenário eleitoral na Itália
    Nesta segunda-feira (24), o parlamento italiano começa a votação para a eleição do novo presidente da República do país. A desistência da candidatura presidencial do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi mudou o cenário eleitoral. O que esperar da eleição? Janaína Cesar, correspondente da RFI na Itália O atual Executivo italiano é formado por uma grande coalizão, com partidos de direita, centro e esquerda. Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro, empresário bilionário e deputado do parlamento europeu, contava com o apoio dos partidos de direita Forza Italia, que ele lidera, Liga Norte e Fratelli d'Italia. Não havia sido fácil para ele obter a aprovação da bancada de direita, pois alguns acreditavam que sua carreira como líder político já havia terminado. Com a sua desistência, a direita italiana fica sem um candidato único.  Na Itália, não se descarta que a decisão de Berlusconi de renunciar tenha sido motivada por problemas de saúde. O ex-premiê deu entrada no hospital San Rafael na manhã deste domingo (23). A informação foi confirmada por seu médico pessoal Alberto Zangrillo, que disse que a internação era para exames de rotina, sem especificar quais. Outros acreditam que o motivo principal é que Berlusconi não tinha números suficientes para vencer a votação e substituir o atual presidente Sergio Mattarella. Os escândalos sexuais, os processos por corrupção e uma condenação por fraude fiscal que envolveram o líder da Forza Itália desde que era chefe do Executivo afastaram o apoio da maioria dos envolvidos na escolha presidencial.  Em 1º de agosto de 2013, a Corte de Cassação, terceira e última instância da justiça italiana, o condenou a 4 anos de prisão por fraude no julgamento dos direitos televisivos de Mediaset. A sentença foi reduzida a 3 anos graças a um indulto. O ex-primeiro-ministro cumpriu a pena de prisão prestando serviços sociais como voluntário numa instituição para idosos. Mario Draghi presidente? A eleição de Mario Draghi seria a solução mais fácil em um dos parlamentos mais ingovernáveis e imprevisíveis da história italiana. Draghi não descartou seu interesse em ocupar a presidência da República, mas muitos especialistas temem que se ele deixar o Executivo, a economia da Itália sofreria amargas consequências.  A atual legislatura termina no início de 2023 e, em princípio, daqui a cerca de um ano, o país vai às urnas para eleger um novo parlamento. Isso significa que quem estiver no comando do governo após a eventual eleição de Draghi para o Palácio Quirinale, sede da presidência, terá que liderar o executivo durante um ano de campanha eleitoral. O que não será nada fácil. O quadro poderia levar a uma possível eleição antecipada para designar um novo governo, onde centenas de deputados e senadores não seriam mais eleitos, ou para a formação de um governo técnico.  Outra alternativa seria reeleger Mattarella, mas ele afirmou que não gostaria de permanecer no cargo. Inclusive o porta-voz da presidência, Giovanni Grasso, publicou no Twitter uma foto de um escritório cheio de caixas e o texto: "Fim de semana de trabalho pesado...", referindo-se à mudança em curso dos escritórios do Quirinale. Eleição do Presidente não tem data para acabar Na Itália, a eleição indireta para presidente acontece a cada sete anos e envolve o grupo chamado de de "grandes eleitores", formado principalmente por senadores, deputados e delegados regionais. A votação para a escolha do 13° chefe de Estado começa nesta segunda-feira, a partir das 15h (pelo horário local 11h em Brasília), na Câmara dos Deputados e não tem previsão para terminar.  Em 1971, aconteceu umas das mais demoradas votações. Foram necessários mais de 23 turnos, um recorde até hoje, antes que Giovanni Leone fosse eleito no dia 24 de dezembro, véspera de Natal.  Esse sistema de voto vigora desde 1946, quando nasceu a República Italiana. Segundo muitos observadores, é difícil chegar a uma solução antes de quinta-feira (27), quando acontecerá a famosa "quarta votação", a primeira com maioria absoluta e não com quórum de dois terços da assembleia de 1.009 eleitores como nos três primeiros turnos. A votação desta segunda-feira não trará resultados. A expectativa é que pelo menos até terça-feira (25) nada aconteça porque nenhum lado tem votos suficientes para eleger um candidato. Aliás, até o momento não há candidatos oficiais. Todos os partidos prometem figuras de "alto nível", mas ninguém revela nomes com medo de que eles sejam “queimados” pelos rivais.  Giulio Andreotti, ex-primeiro-ministro, dizia que "não há método que garanta a vitória, só erros que não devem ser cometidos". Com um sistema parlamentarista, o presidente da República não é o chefe do Executivo e sim o chefe de Estado com a função de guardião da Constituição. O seu mandato tem a duração de sete anos e é importante para o equilíbrio político da Itália, pois ele pode dissolver o Congresso e convocar eleições. O presidente deve representar a união do país e estar acima dos conflitos políticos, ou seja, ser suprapartidário.
    1/24/2022
    5:04
  • Japão registra recordes de casos de Covid-19 e declara estado de "quase emergência"
    As autoridades japonesas indicaram um recorde de 46 mil novas infecções por Covid-19 na quinta-feira (20). Esse é o maior número de casos contabilizados no país em 24 horas desde o início da pandemia, o que levou o governo a reforçar as restrições para tentar conter o avanço da doença.  Juliana Sayuri, correspondente da RFI no Japão Nos últimos três dias, o Japão registrou recordes consecutivos de novos casos de Covid-19. Na terça-feira (18) foram confirmados 32.197 casos em 24 horas, pela primeira vez ultrapassando a marca de 30 mil desde o início da pandemia no arquipélago japonês. No dia seguinte, o número de novas infecções passou de 41 mil. Na quinta, saltou para 46 mil.  Os números podem não surpreender se comparados aos de outros países – o Brasil, por exemplo, registrou na quinta o recorde de 110.442 diagnósticos positivos. Entretanto, é bastante para os indicadores japoneses. Assim, diante da alta de casos com o avanço da variante ômicron, o governo japonês decidiu declarar estado de “quase emergência” a partir desta sexta-feira (21) até 13 de fevereiro.  Ao todo, a medida vale para 16 das 47 províncias japonesas: além de Hiroshima, Okinawa e Yamaguchi, que já estavam enfrentando uma onda da doença desde o início do mês, o primeiro-ministro Fumio Kishida decidiu reforçar restrições para conter o vírus em outras 13 províncias, entre elas Tóquio.  “Vamos superar essa situação com as avaliações científicas de especialistas, a cooperação de profissionais médicos e, sobretudo, a cooperação da população japonesa”, destacou o premiê. Estado de "quase emergência" Segundo o painel de especialistas consultado pelo governo, o objetivo de instituir diretrizes especiais de “quase emergência” é avaliar e evitar a sobrecarga do sistema médico-hospitalar diante da alta de diagnósticos positivos nessas áreas. O aumento ocorre em uma rapidez “sem precedentes”, nas palavras do secretário-chefe do gabinete do governo, Hirokazu Matsuno. “Precisamos agir rapidamente para prevenir a disseminação de infecções, considerando o potencial de uma sobrecarga maior do sistema médico no futuro próximo”, acrescentou o ministro Daishiro Yamagiwa, que lidera ações contra o novo coronavírus no país. “Quase emergência” quer dizer que o governo japonês está autorizando governadores das províncias a indicar limitações de mobilidade e de atividades consideradas não essenciais. Caberá a cada governo definir diretrizes e detalhar como vão funcionar as restrições nas cidades e quais subsídios serão oferecidos aos que precisarem interromper os negócios. Tóquio, por exemplo, pedirá a bares e restaurantes para reduzir os horários de funcionamento, não servir álcool a partir de determinada hora e ainda limitar o número de clientes por mesa. Saitama sinalizou, por outro lado, que não deve restringir o número de clientes que portarem certificados de vacinação ou testes negativos para Covid-19. Aichi pretende pedir o escalonamento de horários nos colégios, além de opções de aulas online para alunos de 52 cidades da província.  Variante ômicron no Japão Desde o início da pandemia, o Japão já declarou estado de emergência diversas vezes, inclusive durante as Olimpíadas, entre julho e agosto de 2021, mas nunca impôs lockdown.  O país teve um momento de otimismo entre outubro e novembro, com controle de novos casos e alto índice de vacinação, quando cogitou-se a possibilidade de reabertura de fronteiras, que desde abril de 2020 estão fechadas para turistas vindos de fora. Entretanto, a descoberta da variante ômicron brecou a reabertura e a perspectiva de relaxar restrições dentro do país. Com o alastramento acelerado da nova variante, as viagens internas no feriado de fins de dezembro e a chegada do inverno no Hemisfério Norte - que também desperta preocupações quanto a infecções virais - o país passou a atravessar mais uma onda forte de infecções. Apesar de 79,2% da população já estar vacinada com duas doses de imunizantes, a campanha para as doses de reforço ainda não deslanchou no arquipélago. Diante do novo quadro, o governo pretende acelerar essa nova fase da luta contra a doença – a expectativa é que a campanha se inicie até o próximo mês de março. Até agora, o Japão registrou 1,98 milhão de casos de Covid-19 e 18 mil mortes.
    1/21/2022
    3:39
  • Anthony Blinken se reúne com o governo alemão para discutir a crise ucraniana
    O secretário de Estado americano, Antony Blinken, visita Berlim nesta quinta-feira (20/01), onde prossegue seu esforço diplomático para tentar resolver as tensões com a Rússia sobre a Ucrânia. Marcio Damasceno, correspondente da RFI Brasil em Berlim Após ter assegurado ontem mais apoio militar e econômico a Kiev, Blinken chega a uma Alemanha que vem negando envio de armas aos ucranianos. Mas o tema começa a ser questionado dentro da coalizão de governo alemã. O mais provável, entretanto, é que Berlim se comprometa a retaliar Moscou, no caso de uma invasão à Ucrânia, através da suspensão do controverso gasoduto Nord Stream 2, que visa levar gás russo à Alemanha através do Báltico e sempre foi criticado por Washington. Na visita a Kiev no dia anterior, Blinken garantiu ajudar a fortalecer a capacidade de a Ucrânia se proteger de uma potencial invasão russa. Já a liderança alemã disse que não enviará armamentos à ex-república soviética. Tanto  o chanceler alemão Olaf Scholz quanto a ministra do Exterior alemã, Annalena Baerbock, já descartaram o envio de armas aos ucranianos. Nessa terça, Scholz afirmou que a Alemanha há anos se pauta pela estratégia de não exportar armas letais e que o atual governo não pretende mudar essa filosofia. Mas dentro da coalizão de governo alemã já começam a aparecer as primeiras dúvidas sobre a posição de Berlim, considerando a atual ameaça russa. Pressão por armas defensivas Numa entrevista à imprensa alemã, a deputada especializada em política de defesa Marie-Agnes Strack-Zimmermann, do liberal FDP, afirmou que o governo deveria pensar no envio de armas defensivas a Kiev. Os liberais formam a coalizão de governo, junto com verdes e social-democratas. Há anos que a Ucrânia pede à Alemanha o envio de armas para defesa contar agressões russas. Em entrevista à agência alemã DPA, o embaixador ucraniano Andriy Melnyk propôs que a Alemanha envie navios de guerra para proteção da costa ucraniana. Ele também lembrou que seu país precisa ainda de sistemas modernos de proteção aérea. Mas críticos avaliam que em guerras armas desenvolvidas para propósitos defensivos, como sistemas antitanque e antiaéreos, podem ser usadas ofensivamente e para matar. Já a posição alemã sobre o controverso gasoduto Nord Stream 2 parece que começa a mudar. Tanto Scholz como sua ministra do Exterior, Annalena Baerbock, já começam reconhecer cogitar publicamente a suspensão do projeto que visa levar gás russo diretamente a Alemanha pelo Mar Báltico. Se o governo anterior, de Angela Merkel, se negava a discutir o assunto, agora nos últimos dias a liderança em Berlim tem confirmado que pode suspender a iniciativa como retaliação no caso de uma agressão da Rússia contra a Ucrânia. Até agora, os social-democratas se apegavam à posição do governo anterior, que alegava que gasoduto é um projeto comercial, que precisa ser protegido de turbulências políticas. Mas os verdes e liberais há tempos eram contra o projeto. O gasoduto já está finalizado mas ainda não entrou em atividade por causa de problemas burocráticos. A suspensão da Nord Stream 2 seria uma das possibilidades de ação no âmbito do pacote de sanções econômicas contra Moscou cogitadas pelas potências ocidentais. Reforço de aliança Na visita de Antony Blinken a Berlim, os americanos esperam uma confirmação indubitável da fidelidade do governo alemão enquanto um importante aliado de Washington. Essa aliança com Berlim é algo que vem sendo reiterado repetidamente pelo governo Joe Biden. Entre os desejos que Blinken deve estar trazendo na mala está o apoio alemão nas sanções econômicas que o Ocidente pretende lançar contra Moscou no caso de uma invasão da Ucrânia. E isso incluir um pedido pela suspensão do gasoduto Nord Stream Dois, que já algum tempo é uma pedra no sapato dos americanos. O fim do projeto teria um alto custo econômico não só para a Rússia quanto para própria Alemanha. E os Estados Unidos vêm cobrar justamente que Berlim contribua com sua cota de sacrifício. Vale ressaltar que mais da metade das importações de gás alemãs via gasodutos vem da Rússia. E o Kremlin sabe muito bem dessa dependência alemã. Mas a economia da Rússia também depende de suas exportações de gás, e a Alemanha é um dos principais fregueses russos no setor.
    1/20/2022
    4:25

About LINHA DIRETA

Station website

Listen to LINHA DIRETA, Talk Radio 702 and Many Other Stations from Around the World with the radio.net App

LINHA DIRETA

LINHA DIRETA

Download now for free and listen to radio & podcasts easily.

Google Play StoreApp Store

LINHA DIRETA: Stations in Family

Information

Due to restrictions of your browser, it is not possible to directly play this station on our website.

You can however play the station here in our radio.net Popup-Player.

Radio